01 apresentação
Segundo os dados fornecidos pela ONU-Habitat, em 2007, cinquenta por cento da população mundial vive no ambiente urbano e um terço da população latino-americana e caribenha vive nos bairros mais pobres das cidades, sem água potável, electricidade, serviços sanitários ou qualquer outro tipo de serviço. No planeta, 940 milhões de pessoas vivem em barracas dentro dos núcleos urbanos, dos quais 128 milhões habitam na Iberoamérica. O Projecto do Milénio das Nações Unidas, acordado em 2000 por 192 países, apresenta 8 objectivos de desenvolvimento divididos em várias metas. A 11ª meta é "alcançar em 2020 o melhoramento substancial das condições de vida de pelo menos 100 milhões de habitantes de barracas".
Na maioria das análises oficiais e académicas, a qualidade e desenho do ambiente urbano aparece como causa de múltiplos problemas: do aquecimento global até a incidência em delitos violentos. No entanto, certos de que nem os edifícios nem as aglomerações urbanas se produzem de maneira isolada à realidade política, social, económica e tecnológica, deve-se tomar consciência e posição face aos agentes que configuram o ambiente edificado. A escala do problema é desoladora, embora devamos tratar um problema de tão elevada magnitude e de tão intensa responsabilidade
O primeiro âmbito de actuação é o relacionado à produção de circunstâncias que permitam o acesso de todos a uma habitação digna, maioritariamente de carácter político e social. Depois, deve-se construir a moradia digna, que com frequência esquecemos que começa por um projecto digno, e portanto, por um trabalho profissional que requer competência, eficácia e dedicaçã.
Por outra parte, não basta promover vivendas dignas ou imaginativas, dado que pode ser uma maneira de estabelecer áreas de marginalidade injustas: prioritariamente se deve configurar um tecido urbano complexo, com infra-estruturas e dotações, com espaço público de qualidade, onde se promova a coesão social, o intercâmbio, a identidade própria. Não se pode pensar na vivenda sem pensar, simultaneamente, na cidade e no território.